Cartões de texto no Anki: como escrever cartões que funcionam
As regras que usamos para escrever cartões de Medicina no Anki: uma pergunta funcional na frente, uma resposta curta no verso e baralhos organizados por aula.
Uma pergunta que se percebe sozinha
Cada cartão aparece fora de ordem, misturado com cartões de outras aulas. Por isso a frente tem de ser uma pergunta completa, que se percebe sem o nome do baralho nem o cartão anterior. Um rótulo solto, como «Gubernáculo», não é uma pergunta; «Que estrutura embriológica guia a descida testicular?» é.
Preferimos perguntas que obrigam a produzir a resposta: a estrutura, a relação, a origem, o destino, o conteúdo, o limite, a ação ou a consequência. Perguntas vagas como «Qual é o papel de X?» ou «O que é X?» dão respostas longas e difíceis de avaliar.
Uma resposta curta, depois o contexto
O verso começa com a resposta direta, de preferência com menos de sete palavras. Só depois vem um bloco de contexto, separado por uma linha em branco, com a explicação breve, a relação anatómica ou a nota clínica que ajuda a fixar a resposta.
Evitamos cartões de omissão (cloze) e de escolha múltipla: reconhecer uma opção é mais fácil do que lembrar a resposta, e o objetivo do cartão é treinar a recordação.
- Uma ideia por cartão; perguntas quase iguais fundem-se na formulação mais clara.
- Os cartões seguem a ordem da aula ou do resumo de onde saíram, para que navegar no baralho acompanhe a matéria.
- Quando estudas por um resumo teu, as perguntas desse resumo são a fonte principal; a bibliografia só acrescenta o que falta.
Baralhos e etiquetas
A hierarquia de baralhos segue a disciplina, o bloco e o tipo de aula, separada por «::». Por exemplo, «Anatomia II::Teóricas::T03 - Título da aula» e «Anatomia II::Práticas::P03 - Título da aula». As etiquetas ficam simples: disciplina, número da aula, tipo de cartão e tema.
Português de Portugal e terminologia da faculdade
Os cartões são escritos em português de Portugal, com o Acordo Ortográfico de 1990, e com a terminologia usada nas aulas. Quando a fonte está em inglês ou em português do Brasil, a formulação é convertida; só se mantém o termo original quando é nomenclatura técnica, uma sigla ou um nome de software.
- «amígdala» e «amigdalino», não «tonsila» e «tonsilar».
- «apófise» para saliências ósseas, não «processo».
- «trompa auditiva», não «tuba auditiva».
- «cromossoma» e «célula estaminal», não as variantes brasileiras.
- Na primeira ocorrência, a sigla vem acompanhada da forma expandida, como em «ATM (articulação temporomandibular)».
Antes de importar
- Exportar em UTF-8, separado por tabulações, com as diretivas do Anki no início do ficheiro (separador, HTML, coluna do baralho, do identificador, do tipo de nota e das etiquetas).
- Usar quebras de linha em HTML (<br>) dentro dos campos, nunca quebras de linha reais.
- Manter o identificador (GUID) de cada nota quando se atualiza um baralho; só as notas novas recebem identificadores novos.
- Não editar a coleção do Anki com o programa aberto: importar um pacote .apkg ou usar o AnkiConnect, e fazer uma cópia de segurança primeiro.
Texto original do Gestor Universitário para apoio ao estudo. Não substitui a bibliografia nem as indicações dos docentes de cada unidade curricular.