Gestor UniversitárioComissão de Curso · FMUP 2025–2031Entrar
ResumosHistologia I · Cap. 07

Tecidos conjuntivos duros II: osso, ossificação e articulações

17 min de leitura

1. Características gerais

O tecido ósseo é o principal constituinte do esqueleto. É um conjuntivo rígido e inflexível, formado por células e por fibras de colagénio envolvidas numa matriz extracelular mineralizada. Ao contrário da cartilagem, é muito vascularizado e metabolicamente ativo: está em renovação contínua durante toda a vida.

Funções:

  • suporte do corpo e proteção de órgãos (encéfalo, coração, pulmões, medula óssea);
  • apoio aos músculos esqueléticos e formação de um sistema de alavancas que transforma a contração em movimento, favorecendo a força, a velocidade ou a amplitude conforme a disposição das inserções e dos pontos de apoio;
  • reserva mobilizável de cálcio e fosfato (cerca de 99 % do cálcio do organismo), essencial para a calcemia;
  • alojamento da medula óssea hematopoiética.

2. Matriz óssea

Considerando a massa seca da matriz óssea, aproximadamente 30–35 % corresponde à fração orgânica e 65–70 % à inorgânica. São estimativas que variam com o tipo e a maturação do osso; no tecido vivo existe também uma componente aquosa significativa.

  • Orgânica: sobretudo colagénio tipo I (cerca de 90 %), com substância fundamental (GAG, proteoglicanos) e proteínas não colagénicas (osteocalcina, osteonectina, osteopontina, sialoproteína óssea).
  • Inorgânica: cálcio e fosfato na forma de cristais de hidroxiapatite, Ca_{10}(PO_{4})_{6}(OH)_{2}, com bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato.

Os cristais de hidroxiapatite depositam-se ao longo das fibras de colagénio. Esta associação explica as propriedades do osso: o mineral dá dureza e resistência à compressão, o colagénio dá resistência à tração e alguma flexibilidade. Um osso descalcificado em ácido mantém a forma mas fica flexível como borracha; um osso sem colagénio (calcinado) fica quebradiço.

Para estudar o osso ao microscópio há dois métodos: a descalcificação (remoção do mineral com ácido ou EDTA, seguida de corte em parafina), que preserva as células; e o desgaste de osso seco até uma lâmina fina, que preserva a matriz mineral e destrói as células.

3. Células do osso

Os principais tipos celulares descritos a seguir são as células osteoprogenitoras, os osteoblastos, os osteócitos e os osteoclastos. Os três primeiros pertencem à linhagem osteoblástica, de origem mesenquimatosa; os osteoclastos têm origem hematopoiética. Nas superfícies quiescentes existem ainda células de revestimento ósseo, derivadas de osteoblastos.

3.1. Células osteoprogenitoras

As células osteoprogenitoras derivam de progenitores mesenquimatosos e estão comprometidas com a linhagem osteoblástica. Conservam capacidade proliferativa e diferenciam-se em osteoblastos. São achatadas, semelhantes a fibroblastos, com núcleo alongado. Persistem após o nascimento, especialmente nas camadas osteogénicas do periósteo e no endósteo, contribuindo para a formação e reparação ósseas.

3.2. Osteoblastos

Os osteoblastos originam-se das células osteoprogenitoras e localizam-se à superfície do osso em formação, onde formam uma monocamada de células cúbicas ou cilíndricas, semelhante a um epitélio simples. São células muito polarizadas, com citoplasma basófilo (RER abundante) e Golgi desenvolvido, que depositam a matriz orgânica para o lado do osso.

Funções:

  • sintetizam a matriz orgânica ainda não mineralizada, o osteoide, sobretudo colagénio tipo I e substância fundamental. O osteoide recém-depositado situa-se entre os osteoblastos e a matriz previamente formada. Em cortes descalcificados corados por H&E, a coloração não distingue com segurança osteoide de matriz anteriormente mineralizada; técnicas que preservam o mineral e colorações apropriadas permitem essa distinção;
  • sintetizam proteínas não colagénicas (osteocalcina, osteonectina, osteopontina, sialoproteína óssea) e fatores de crescimento (BMP, proteínas morfogenéticas do osso);
  • controlam a mineralização: segregam vesículas da matriz ricas em fosfatase alcalina e pirofosfatase, que concentram cálcio e fosfato. Nas vesículas formam-se os primeiros cristais de hidroxiapatite; os cristais rompem a vesícula, crescem e a mineralização propaga-se de forma confluente ao longo das fibras de colagénio;
  • participam na regulação dos osteoclastos, em conjunto com osteócitos e células do estroma, através de RANKL, M-CSF e osteoprotegerina (secção 3.4).

A diferenciação dos osteoblastos depende dos fatores de transcrição RUNX2 e Osterix.

Após a fase de formação, alguns osteoblastos ficam incluídos na matriz e tornam-se osteócitos; outros sofrem apoptose ou passam a células de revestimento ósseo (bone-lining cells), achatadas, que permanecem sobre superfícies quiescentes. Por isso, nem toda a superfície óssea apresenta uma fiada de osteoblastos cúbicos ativos.

Displasia cleidocraniana A mutação do gene RUNX2 compromete a diferenciação dos osteoblastos. Resulta em hipoplasia ou ausência das clavículas (os ombros aproximam-se à frente do tórax), fontanelas que não fecham e anomalias dentárias.

3.3. Osteócitos

Quando o osteoblasto fica rodeado pela matriz que segregou, passa a osteócito. É a célula mais abundante do osso maduro.

  • Aloja-se numa lacuna (osteoplasto) rodeada de matriz mineralizada.
  • Célula achatada, em forma de amêndoa, com núcleo de cromatina condensada e menos organelos do que o osteoblasto.
  • Emite prolongamentos citoplasmáticos muito finos que correm em canalículos através da matriz e contactam os prolongamentos dos osteócitos vizinhos e as células de superfície, por junções comunicantes (de hiato).

A mineralização restringe fortemente a difusão direta através da matriz. Os nutrientes provenientes dos vasos chegam aos osteócitos sobretudo por difusão no líquido extracelular das lacunas e dos canalículos. As junções comunicantes entre prolongamentos permitem a troca intercelular de pequenos solutos e sinais. O alcance limitado desta rede, da ordem de 100 µm, condiciona a organização vascular e a espessura do tecido ósseo.

Os osteócitos são metabolicamente ativos: mantêm e renovam a matriz, detetam as cargas mecânicas (mecanorreceção) e sinalizam a formação ou a reabsorção de osso. Podem estar em estado quiescente, formativo ou reabsortivo. Quando morrem, as lacunas ficam vazias e a matriz à volta é reabsorvida.

3.4. Osteoclastos

Os osteoclastos são responsáveis pela reabsorção óssea, indispensável à remodelação e à renovação do osso.

  • Células gigantes (até 100 µm) e multinucleadas (até 50 núcleos), com citoplasma acidófilo.
  • Situam-se em depressões da superfície óssea escavadas por eles próprios, as lacunas de Howship, mas são células móveis.
  • Origem: precursores mononucleados da medula óssea da linhagem monócito-macrófago, que se fundem. Não pertencem à linhagem osteoblástica.

O osteoclasto ativo é polarizado. A face voltada para o osso tem:

  • uma bordadura franjada ou pregueada (ruffled border): numerosas pregas irregulares da membrana voltada para o osso, que aumentam a área de transporte, secreção e internalização dos produtos da reabsorção;
  • à volta, uma zona selante (zona clara): anel de filamentos de actina onde a membrana adere firmemente ao osso por integrinas, isolando um compartimento subosteoclástico.

O citoplasma tem numerosas mitocôndrias, lisossomas, vesículas e vacúolos, e pouco RER.

Mecanismo da reabsorção. A anidrase carbónica II fornece H^{+} e HCO_{3}^{-} a partir de CO_{2} e água. A H^{+}-ATPase da bordadura franjada transporta protões para o compartimento selado, cujo pH pode aproximar-se de 4,5. O bicarbonato é trocado por cloreto na membrana oposta; o transporte de cloreto para o compartimento subosteoclástico permite manter a acidificação. O meio ácido dissolve a hidroxiapatite. A catepsina K e metaloproteinases, incluindo a MMP-9, degradam a matriz orgânica exposta. Os produtos são endocitados e transportados para a superfície oposta da célula.

Regulação. A osteoclastogénese depende de sinais das células da linhagem osteoblástica, incluindo osteoblastos e osteócitos, e das células do estroma:

  • o M-CSF promove a sobrevivência e proliferação dos precursores e favorece a expressão de RANK;
  • o RANKL, produzido nomeadamente por osteócitos e células osteoblásticas, liga-se ao recetor RANK dos precursores e promove a diferenciação e fusão;
  • a osteoprotegerina (OPG) é um recetor solúvel de captura que se liga ao RANKL, impedindo a sua interação com RANK e reduzindo a osteoclastogénese.

A PTH favorece indiretamente a reabsorção, modificando sinais osteoclastogénicos nas células osteoblásticas e nos osteócitos. A calcitonina pode inibir diretamente a atividade dos osteoclastos através dos seus recetores. Os osteócitos integram ainda estímulos mecânicos, nomeadamente pela regulação da esclerostina, que inibe a formação óssea.

Doenças do equilíbrio formação-reabsorção - Osteoporose: perda de massa óssea com fragilidade e fraturas, por reabsorção superior à formação. O principal fator é a falta de estrogénios após a menopausa, que aumenta a expressão de RANKL. O denosumab, anticorpo anti-RANKL, atua como a osteoprotegerina e reduz a reabsorção. - Osteopetrose: grupo de doenças com deficiência da formação ou da função reabsortiva dos osteoclastos. Entre as causas humanas encontram-se alterações de proteínas necessárias à acidificação, como a ClC-7, codificada por CLCN7, e componentes da bomba de protões. O osso torna-se muito denso, mas pode ser frágil; nas formas graves, a redução dos espaços medulares compromete a hematopoiese. A deficiência de M-CSF do rato experimental op/op demonstra a importância deste fator, sem representar uma causa típica de osteopetrose humana. - Osteomalacia e raquitismo: a osteomalacia corresponde a mineralização inadequada do osteoide, com osso pouco resistente, deformações e fraturas. Pode resultar de défice de vitamina D, alterações do metabolismo do fosfato ou doença renal. Na criança com placas epifisárias abertas, o raquitismo inclui perturbação da mineralização da cartilagem de conjugação, alterando o crescimento esquelético.

4. Organização do tecido ósseo

4.1. Osso compacto e osso esponjoso

Macroscopicamente distinguem-se dois tipos de osso, que têm a mesma composição e diferem na arquitetura:

Compacto (cortical)Esponjoso (trabecular)
AspetoSólido e homogéneoRede de trabéculas (espículas ósseas) com espaços
LocalizaçãoParte externa de todos os ossos; diáfise dos ossos longosInterior das epífises, dos ossos curtos e chatos
OrganizaçãoSistemas de HaversLamelar, mas não haversiano
EspaçosCanais vasculares estreitosGrandes espaços ocupados pela medula óssea

As trabéculas do osso esponjoso orientam-se segundo as linhas de força, oferecendo a máxima resistência com a mínima massa. Não têm canais de Havers: os osteócitos nutrem-se a partir dos vasos da medula, através dos canalículos.

4.2. Osso compacto: sistemas de Havers

No osso maduro, o colagénio deposita-se em lamelas de 3 a 7 µm. Em cada lamela as fibras são paralelas entre si, mas a orientação muda de uma lamela para a seguinte, como num contraplacado, o que aumenta a resistência. No osso compacto, as lamelas organizam-se de quatro formas:

  • Sistemas de Havers (osteónios): cilindros de 4 a 20 lamelas concêntricas à volta de um canal de Havers central, que contém vasos, nervos e conjuntivo laxo, revestido por endósteo. Os osteócitos ficam entre as lamelas, em lacunas, e os canalículos ligam-nos ao canal central. Os osteónios são paralelos ao eixo maior do osso. Cada um é delimitado por uma linha cimentante, rica em matriz e pobre em colagénio.
  • Lamelas intersticiais (sistemas intermediários): fragmentos de lamelas entre os osteónios, restos de antigos sistemas de Havers parcialmente reabsorvidos durante a remodelação; já não rodeiam canais.
  • Lamelas circunferenciais externas, logo abaixo do periósteo.
  • Lamelas circunferenciais internas, junto ao endósteo e à cavidade medular.

Os canais de Volkmann são canais vasculares transversais ou oblíquos, que ligam os canais de Havers entre si, à superfície do osso (periósteo) e à cavidade medular. Ao contrário dos canais de Havers, não são rodeados por lamelas concêntricas.

4.3. Periósteo e endósteo

  • Periósteo: reveste a superfície externa dos ossos, exceto nas superfícies articulares. Tem uma camada externa de conjuntivo denso, vascularizada, e uma camada interna com células osteoprogenitoras. Está preso ao osso por feixes de colagénio que penetram na matriz, as fibras de Sharpey. Funções: crescimento em espessura, reparação de fraturas e nutrição do osso, pelos vasos que entram pelos canais de Volkmann.
  • Endósteo: revestimento celular fino das superfícies voltadas para a cavidade medular, das trabéculas e das paredes dos canais vasculares internos. Contém células osteoprogenitoras e de revestimento ósseo, com escassa matriz conjuntiva. Participa na formação, remodelação e reparação das superfícies internas; não possui a camada fibrosa externa e as inserções mecânicas características do periósteo.

4.4. Osso primário e osso secundário

Primário (imaturo, entrançado)Secundário (maduro, lamelar)
ColagénioFibras irregulares, sem orientação definidaFibras em lamelas paralelas ou concêntricas
MineralizaçãoMenorMaior
OsteócitosMuitos, distribuídos ao acasoMenos, alinhados entre as lamelas
OcorrênciaPrimeiro osso do desenvolvimento embrionário; formação rápida, nomeadamente na reparação de fraturas e em áreas de crescimento ou remodelação intensaQuase todo o osso do adulto

O osso primário é geralmente transitório, sendo progressivamente substituído por osso secundário lamelar na remodelação. No adulto saudável predomina amplamente o osso lamelar; podem existir focos de osso entrançado em situações de formação rápida.

4.5. Remodelação e reparação

O tecido ósseo sofre remodelação contínua, por acoplamento entre reabsorção osteoclástica e formação osteoblástica. No osso compacto, osteoclastos escavam túneis (cones de corte), acompanhados por vasos e células osteogénicas; os osteoblastos depositam lamelas concêntricas, formando novos osteónios. No osso esponjoso, a remodelação ocorre sobretudo nas superfícies trabeculares, em cavidades de reabsorção posteriormente preenchidas por matriz nova, sem organização haversiana. Estes processos corrigem microlesões e adaptam a arquitetura às cargas. A taxa de renovação varia com a região, idade e tipo de osso, sendo geralmente mais elevada no trabecular.

Reparação de uma fratura:

  1. A rutura vascular origina um hematoma e inflamação. Células próximas da fratura podem morrer. Leucócitos e macrófagos removem detritos celulares; os osteoclastos reabsorvem matriz óssea necrosada.
  2. As células osteoprogenitoras do periósteo e do endósteo proliferam, acompanhadas de neoformação vascular. Desenvolve-se um calo mole, com tecido conjuntivo e cartilagem nas regiões apropriadas; junto ao periósteo pode formar-se diretamente osso primário.
  3. A cartilagem é progressivamente substituída por osso primário por ossificação endocondral, enquanto prossegue a deposição noutras regiões. Forma-se o calo ósseo, que estabiliza a união entre fragmentos. Estas fases sobrepõem-se parcialmente.
  4. O osso primário é remodelado em osso secundário lamelar e o excesso do calo é reabsorvido.

5. Ossificação

O osso forma-se sempre por deposição de matriz por osteoblastos sobre um tecido preexistente. Conforme esse tecido, a ossificação é intramembranosa ou endocondral. Em ambas forma-se primeiro osso primário, depois remodelado.

5.1. Ossificação intramembranosa

A ossificação intramembranosa ocorre no mesênquima, sem molde de cartilagem. Participa na formação dos ossos da abóbada craniana, da maxila e da maior parte da mandíbula, e no crescimento em espessura por deposição subperióstica. O desenvolvimento mandibular inclui também regiões cartilagíneas secundárias.

  1. Num mesênquima muito vascularizado, as células mesenquimatosas agregam-se e diferenciam-se diretamente em osteoblastos (centro de ossificação primário).
  2. Os osteoblastos segregam osteoide, que mineraliza; os que ficam aprisionados passam a osteócitos.
  3. Formam-se trabéculas de osso primário, que crescem e se fundem; o mesênquima entre elas origina a medula óssea.
  4. O conjuntivo à superfície condensa-se em periósteo. Mais tarde, as tábuas externa e interna são remodeladas em osso compacto e o centro mantém-se esponjoso (díploe).

5.2. Ossificação endocondral

Um molde de cartilagem hialina é progressivamente substituído por osso. Forma os ossos longos dos membros, as vértebras, a pélvis e os ossos da base do crânio.

  1. Forma-se um modelo de cartilagem hialina com a forma do futuro osso, rodeado de pericôndrio.
  2. Na região média da diáfise, o pericôndrio torna-se osteogénico e diferencia-se em periósteo; os osteoblastos formam, por ossificação intramembranosa, um colar ósseo periosteal.
  3. Em paralelo, os condrócitos centrais maturam e hipertrofiam num programa regulado, com expressão de colagénio X, alterações da matriz e sinais que favorecem a invasão vascular. A matriz cartilagínea calcifica e muitos condrócitos degeneram, deixando septos de cartilagem calcificada.
  4. O broto periosteal, com vasos e células osteoprogenitoras e hematopoiéticas, invade a região. Os osteoblastos depositam osteoide sobre os septos remanescentes de cartilagem calcificada, estabelecendo o centro de ossificação primário.
  5. A ossificação estende-se para as duas extremidades; os osteoclastos escavam a cavidade medular.
  6. Mais tarde (sobretudo depois do nascimento) formam-se centros de ossificação secundários nas epífises.
  7. Entre a epífise e a diáfise fica uma placa de cartilagem, a cartilagem de conjugação (disco ou placa epifisária), que permite o crescimento em comprimento. Na epífise mantém-se a cartilagem articular.

5.3. Cartilagem de conjugação

Na placa epifisária, da epífise para a diáfise, sucedem-se zonas que reproduzem no espaço a sequência da ossificação endocondral:

ZonaAspetoO que acontece
Repouso (cartilagem hialina)Condrócitos pequenos, dispersosReserva de células
Proliferação (cartilagem seriada)Condrócitos achatados, em colunas paralelas ao eixo do ossoDivisão rápida dos condrócitos (crescimento intersticial)
Hipertrofia (cartilagem hipertrofiada)Condrócitos muito grandes, vacuolizados, em fiadasAumento do volume das células; síntese de colagénio X
CalcificaçãoMatriz entre as colunas calcificada, basófilaMorte dos condrócitos por apoptose
Ossificação (zona de erosão)Lacunas vazias e rompidas, invadidas por capilares; osteoblastos sobre os septos de cartilagem calcificadaDeposição de osso primário

O crescimento em comprimento resulta do equilíbrio entre a proliferação na face epifisária e a substituição por osso na face diafisária: a placa mantém a espessura enquanto se afasta do centro da diáfise. No fim da puberdade, por ação dos estrogénios, a proliferação para, a placa é totalmente substituída por osso (encerramento das epífises) e fica uma linha epifisária. A partir daí o osso já não cresce em comprimento.

Acondroplasia A mutação do recetor 3 do FGF inibe a proliferação dos condrócitos na cartilagem de conjugação. Os ossos longos crescem pouco em comprimento (nanismo com membros curtos), mas os ossos de ossificação intramembranosa, como os do crânio, desenvolvem-se normalmente.

6. Articulações

6.1. Classificação

Classificação funcional

TipoMobilidade
SinartrosesAusente ou praticamente ausente
AnfiartrosesLimitada
DiartrosesLivre; característica das articulações sinoviais

Classificação estrutural

TipoEstrutura e exemplos
FibrosasTecido conjuntivo fibroso une os ossos, como nas suturas cranianas
Cartilagíneas primárias (sincondroses)União por cartilagem hialina, como na primeira articulação esternocostal
Cartilagíneas secundárias (sínfises)União por fibrocartilagem, como na sínfise púbica e entre corpos vertebrais
SinoviaisSuperfícies separadas por cavidade sinovial, rodeadas por cápsula

A cartilagem de conjugação é uma união cartilagínea temporária de crescimento. As sinostoses são uniões por tecido ósseo, frequentemente após ossificação de uma união preexistente: não permitem movimento entre os elementos fusionados. As classificações funcional e estrutural não têm correspondência rígida, embora as diartroses correspondam às articulações sinoviais.

6.2. Articulação sinovial

As diartroses são articulações sinoviais. Têm:

  • cartilagem hialina articular a revestir as extremidades ósseas, sem pericôndrio;
  • cavidade articular com líquido sinovial;
  • cápsula articular, com uma camada externa fibrosa de conjuntivo denso, contínua com o periósteo, e uma camada interna, a membrana sinovial.

A membrana sinovial reveste a cavidade, exceto sobre a cartilagem. Tem uma a quatro camadas de células sinoviais de núcleo escuro, sem lâmina basal (não é um epitélio verdadeiro), sobre conjuntivo laxo muito vascularizado. Há dois tipos de células: as células A, semelhantes a macrófagos, que removem detritos da cavidade; e as células B, semelhantes a fibroblastos, que segregam ácido hialurónico e glicoproteína lubrificante (lubricina).

O líquido sinovial é um dialisado do plasma enriquecido com ácido hialurónico. Lubrifica as superfícies e nutre a cartilagem articular. A sua análise é útil no diagnóstico das doenças articulares.

- Osteoblasto: superfície, basófilo, segrega osteoide e controla a mineralização (fosfatase alcalina); produz RANKL e osteoprotegerina. - Osteócito: em lacuna, prolongamentos em canalículos unidos por junções comunicantes. - Osteoclasto: gigante multinucleado da linhagem monócito-macrófago, em lacuna de Howship; bordadura franjada, zona selante, H^{+} e catepsina K. PTH estimula (via células osteoblásticas e osteócitos), calcitonina inibe. - Sistema de Havers: lamelas concêntricas à volta do canal de Havers; canais de Volkmann transversais, sem lamelas. - Intramembranosa: sem cartilagem (abóbada craniana, maior parte da mandíbula). Endocondral: molde de cartilagem hialina (ossos longos). - Cartilagem de conjugação: repouso, proliferação (seriada), hipertrofia, calcificação, ossificação.

7.1. Osso seco humano, corte transversal

O osso foi macerado, seco e desgastado até obter uma lâmina fina. O processamento não preserva o conteúdo celular, mas conserva a arquitetura da matriz óssea mineralizada, incluindo as lamelas; não equivale à remoção de toda a matriz orgânica. As cavidades podem aparecer escuras por um efeito ótico associado ao ar ou ao meio de montagem. Observam-se:

  • orifícios arredondados, os canais de Havers, que continham vasos, rodeados por lamelas concêntricas: sistemas de Havers;
  • entre eles, lamelas incompletas que já não rodeiam canais: sistemas intermediários;
  • lacunas onde estavam os osteócitos, ligadas umas às outras por canalículos finos.

7.2. Maxilar de rato, H&E: osteoclastos e osso imaturo

7.3. Joelho de rato, H&E: ossificação endocondral e membrana sinovial

Entre a epífise (osso trabecular revestido por cartilagem articular) e a diáfise da tíbia, observar a cartilagem de conjugação, com as zonas sucessivas: cartilagem hialina (junto à epífise), cartilagem seriada (condrócitos em fiadas paralelas), cartilagem hipertrofiada (células muito grandes em fiadas) e zona de erosão (lacunas vazias e rompidas, invadidas por vasos que trazem as células osteoformadoras), seguida de osso trabecular imaturo. O osso maduro tem osso compacto na periferia e esponjoso no centro, com medula óssea vermelha.

A membrana sinovial limita lateralmente a cavidade articular: uma a três camadas de células de núcleo escuro sobre conjuntivo laxo muito vascularizado. Por fora, a cápsula fibrosa. Na maioria dos cortes vê-se também a rótula e o tendão rotuliano.

7.4. Joelho de rato, Fast Green e safranina O

A safranina O tem grande afinidade para os proteoglicanos e cora a cartilagem de vermelho, sobre um fundo verde. Evidencia a cartilagem articular e a cartilagem de conjugação entre a epífise e a diáfise. Observam-se também a membrana sinovial, a cápsula fibrosa, a rótula, o ligamento rotuliano e, na maioria das preparações, os ligamentos cruzados ou os meniscos.

7.5. Fratura óssea de rato

A preparação mostra ossificação endocondral durante a reparação de uma fratura. No calo há condrócitos em hipertrofia e regiões de calcificação da matriz cartilagínea. Após a degeneração de muitos condrócitos, a invasão vascular é acompanhada por células osteoprogenitoras; os osteoblastos depositam osteoide sobre septos de cartilagem calcificada, originando trabéculas mistas e osso primário. O calo é progressivamente remodelado. Fragmentos preexistentes podem apresentar lacunas sem conteúdo celular identificável, compatíveis com necrose no contexto da fratura; a ausência de um núcleo num corte isolado não prova, por si só, a morte do osteócito.

Resumo escrito por estudantes para apoio ao estudo. Não substitui a bibliografia nem as indicações dos docentes da unidade curricular.