Gestor UniversitárioComissão de Curso · FMUP 2025–2031Entrar
ResumosHistologia I · Cap. 05

Tecidos conjuntivos moles II: células de defesa e tecido adiposo

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1. Macrófagos

1.1. Origem: sistema fagocitário mononuclear

Os macrófagos têm origem em precursores embrionários e em monócitos do sangue. Muitos macrófagos residentes estabelecem-se a partir de precursores do saco vitelino e do fígado fetal e mantêm-se por autorrenovação. Na medula óssea, a linhagem monocítica passa por monoblasto, promonócito e monócito. Os monócitos circulantes podem atravessar o endotélio e diferenciar-se em macrófagos nos tecidos, especialmente durante a inflamação. Estas populações integram o sistema fagocitário mononuclear.

A distinção clássica entre macrófagos residentes (histiócitos no conjuntivo) e migratórios é funcional: residência não significa imobilidade nem determina, por si só, a origem celular. Em vários órgãos têm nomes próprios:

ÓrgãoMacrófago
FígadoCélulas de Kupffer
PulmãoMacrófagos alveolares
OssoOsteoclastos: células multinucleadas da linhagem monocítica/macrofágica, especializadas na reabsorção óssea
Pele, sobretudo dermeMacrófagos residentes
Sistema nervoso centralMicroglia

As células de Langerhans da epiderme são células dendríticas apresentadoras de antigénios. As células dendríticas convencionais dos tecidos e órgãos linfoides especializam-se na ativação de linfócitos T; não devem ser confundidas com macrófagos nem com as células dendríticas foliculares.

1.2. Características

  • Núcleo oval ou reniforme (em forma de rim), excêntrico, com cromatina dispersa.
  • Citoplasma abundante, de contorno irregular, com pseudópodes e por vezes vacuolizado; o aspeto varia com o tecido e o estado funcional.
  • Muitos lisossomas e fagossomas (vacúolos com material fagocitado); citoesqueleto desenvolvido.
  • Diâmetro de 10 a 30 µm.

Em H&E, o macrófago em repouso é difícil de distinguir de um fibroblasto. Identifica-se melhor quando contém material fagocitado, por exemplo partículas de tinta da China injetadas no animal, ou pigmentos como a hemossiderina.

Os macrófagos podem fundir-se em células gigantes multinucleadas, por exemplo em reações a corpos estranhos ou em granulomas. Nas células gigantes do tipo Langhans, os núcleos tendem a dispor-se perifericamente, por vezes em ferradura; podem ocorrer na tuberculose, mas não são específicas desta doença. O osteoclasto é uma célula multinucleada fisiológica especializada na reabsorção óssea.

1.3. Funções

  • Manutenção dos tecidos: degradação de fibras, de restos de matriz extracelular e de células mortas (por exemplo, eritrócitos envelhecidos no baço).
  • Defesa direta: fagocitose e digestão de bactérias, partículas e células alteradas.
  • Defesa indireta: processamento e apresentação de antigénios. O macrófago apresenta péptidos antigénicos associados ao MHC classe II, reconhecidos por linfócitos T auxiliares CD4. A ativação completa de linfócitos T ainda não ativados (naïve) requer também coestimulação e um contexto adequado de citocinas; as células dendríticas são particularmente eficazes nesta função. Os macrófagos interagem igualmente com linfócitos T efetores nos tecidos.
  • Síntese de mediadores: interleucinas, outras citocinas (como o fator de necrose tumoral), proteínas do complemento, fatores de crescimento que estimulam a cicatrização.

2. Plasmócitos

2.1. Origem

Os plasmócitos resultam da diferenciação de linfócitos B ativados. Nas respostas dependentes de linfócitos T, o reconhecimento do antigénio e a ajuda dos T auxiliares promovem a expansão clonal e a formação de plasmócitos e células B de memória. Existem também respostas de linfócitos B independentes de ajuda de linfócitos T. Os plasmócitos são particularmente numerosos na lâmina própria das mucosas, onde há exposição frequente a antigénios; encontram-se ainda nas glândulas salivares, nos órgãos linfoides secundários e em focos de inflamação crónica. A medula óssea alberga plasmócitos de longa duração, responsáveis por secreção sustentada de anticorpos; não é uma superfície de entrada de antigénios.

2.2. Características e função

A função do plasmócito é a síntese e secreção de anticorpos (imunoglobulinas). A sua morfologia reflete uma célula dedicada a produzir grandes quantidades de proteína para exportação: Muitos plasmócitos das mucosas produzem IgA dimérica, que atravessa o epitélio por transcitose mediada pelo recetor para imunoglobulinas poliméricas e é libertada como IgA secretora, contribuindo para a defesa da superfície mucosa.

  • Célula oval, com núcleo esférico e excêntrico.
  • Heterocromatina em grumos dispostos regularmente junto ao invólucro nuclear, com um aspeto de roda de carroça ou mostrador de relógio.
  • Citoplasma intensamente basófilo, devido aos ribossomas do RER muito desenvolvido; as cisternas podem estar dilatadas e conter imunoglobulinas em síntese e processamento.
  • Uma zona clara junto ao núcleo (halo justanuclear), menos corada, ocupada por um Golgi extenso.

3. Mastócitos

3.1. Características

O mastócito é uma célula grande e globosa, com núcleo pequeno, esférico e central, muitas vezes tapado pelos grânulos. O citoplasma está cheio de grânulos basófilos e metacromáticos: com azul de toluidina coram a púrpura em vez de azul, devido à elevada densidade de grupos aniónicos dos glicosaminoglicanos sulfatados dos grânulos, incluindo a heparina. Em H&E os grânulos veem-se mal. Ao microscópio eletrónico, o conteúdo dos grânulos é granular, lamelar ou amorfo, conforme a espécie.

Os mastócitos derivam de precursores da medula óssea que circulam no sangue e completam a diferenciação nos tecidos. Abundam no conjuntivo próximo das superfícies de contacto com o exterior (pele, mucosas digestiva e respiratória) e à volta dos vasos.

3.2. Funções e secreção

O mastócito é uma célula sentinela da defesa. Participa na inflamação, nas reações de hipersensibilidade imediata (alergias) e na expulsão de parasitas.

A membrana tem recetores FcεRI, de elevada afinidade para a porção Fc da IgE. Na sensibilização, a IgE específica produzida por plasmócitos fixa-se a estes recetores. Numa reexposição, o alergénio liga simultaneamente moléculas de IgE próximas, agrega os recetores e desencadeia sinalização. O aumento do Ca^{2+} citosólico, por libertação de reservas intracelulares e entrada de cálcio extracelular, contribui para a desgranulação (exocitose rápida dos grânulos) e para a síntese de novos mediadores.

MediadorOrigemEfeito
HistaminaGrânulos (pré-formado)Vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular (edema), contração do músculo liso brônquico
HeparinaGrânulosAtividade anticoagulante; os proteoglicanos granulares também participam no armazenamento de mediadores
ECF-A (fator quimiotático de eosinófilos)GrânulosAtrai eosinófilos
Proteases (triptase, quimase)GrânulosAtivação de mediadores, lesão tecidular
Leucotrienos C4, D4, E4Síntese após ativação, a partir do ácido araquidónico pela via da lipoxigenaseBroncoconstrição prolongada, aumento da permeabilidade vascular e secreção de muco
Prostaglandina D2Síntese após ativação, pela via da ciclo-oxigenaseInflamação e broncoconstrição
Fator ativador das plaquetasMediador lipídico sintetizado após ativaçãoAtivação plaquetária e resposta inflamatória

Os mediadores pré-formados atuam em segundos; os derivados dos lípidos membranares são sintetizados no momento e atuam mais tarde e por mais tempo. Os mastócitos libertam ainda mediadores quimiotáticos que atraem leucócitos e monócitos.

Anafilaxia e asma A ativação sistémica de mastócitos e outros efetores pode provocar anafilaxia, com vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, edema e, por vezes, broncoconstrição. Se causar compromisso circulatório grave com hipotensão, pode ocorrer choque anafilático; a anafilaxia pode existir sem choque. Na asma alérgica, os mediadores dos mastócitos contribuem para broncoconstrição, hipersecreção de muco e inflamação, em conjunto com outros mecanismos.

4. Linfócitos e resposta imunitária

O tecido conjuntivo é um local importante de vigilância imunitária e inflamação. Além de macrófagos, mastócitos e plasmócitos, recebe leucócitos do sangue: neutrófilos (fagocitose), eosinófilos (parasitas e alergia), monócitos e linfócitos. A ativação inicial de muitos linfócitos ocorre nos órgãos linfoides secundários, com efeitos posteriores nos tecidos periféricos.

LinfócitoProporção aproximada entre os linfócitos do sangue periféricoOrigemFunção
B5 a 10 %Medula ósseaMaduros naïve: IgM e IgD de superfície; ativados dão plasmócitos e linfócitos B de memória
T65 a 75 %Precursores da medula óssea que se diferenciam no timoCom recetor de células T (TCR): auxiliares (CD4), reguladores, citotóxicos (CD8), memória
NK (natural killer)10 a 15 %Medula ósseaImunidade inata; sem TCR; matam células alteradas sem intervenção de linfócitos T

As percentagens são aproximadas e variam entre indivíduos e métodos; não constituem limites laboratoriais universais.

Os linfócitos pequenos em repouso apresentam geralmente núcleo arredondado escuro e uma estreita orla de citoplasma basófilo. As principais subpopulações funcionais não se distinguem com segurança apenas pela morfologia em H&E; recorre-se a marcadores imunofenotípicos, incluindo os CD (cluster of differentiation). Os linfócitos ativados podem ser maiores e ter mais citoplasma.

A defesa integra imunidade inata (incluindo macrófagos, neutrófilos, mastócitos e células NK) e imunidade adaptativa, dependente do reconhecimento específico pelos linfócitos B e T. A imunidade adaptativa compreende duas modalidades principais:

  • Resposta humoral: anticorpos produzidos pelos plasmócitos derivados de linfócitos B ativados. Os T auxiliares favorecem as respostas dependentes de ajuda T; os T reguladores contribuem para limitar respostas excessivas e manter a tolerância.
  • Resposta celular: linfócitos T efetores, incluindo T auxiliares que ativam outras células e T citotóxicos CD8. Estes reconhecem péptidos apresentados por MHC classe I e induzem apoptose, nomeadamente em células infetadas por vírus ou tumorais. A perforina facilita a entrega de granzimas, que desencadeiam apoptose; a interação Fas–ligando de Fas constitui outra via. Os componentes inatos e adaptativos cooperam, mas as células NK não pertencem à imunidade adaptativa.
CélulaNúcleoCitoplasmaFunção
FibroblastoOvoide, claroPouco visível, com prolongamentosSíntese da matriz
MacrófagoReniforme, excêntricoAbundante, acidófilo, vacuolizado, com material fagocitadoFagocitose, apresentação de antigénios
PlasmócitoRedondo, excêntrico, em roda de carroçaBasófilo, com halo claro junto ao núcleoAnticorpos
MastócitoPequeno, centralCheio de grânulos basófilos metacromáticosHistamina, heparina; alergia
LinfócitoRedondo, escuro, ocupa quase toda a célulaAnel fino basófiloImunidade

5. Tecido adiposo

5.1. Adipócitos e adipogénese

O tecido adiposo é um conjuntivo especializado em que predominam os adipócitos, células que armazenam lípidos (triglicéridos). Os adipócitos também existem isolados ou em pequenos grupos no conjuntivo laxo.

Os adipócitos têm origem mesenquimatosa, mas os adipócitos brancos e castanhos clássicos seguem populações precursoras distintas. Os brancos diferenciam-se a partir de precursores adipogénicos, passando por pré-adipócitos; muitos castanhos clássicos partilham uma linhagem precursora com a miogénese esquelética. PPARγ é essencial à diferenciação adipogénica, em conjunto com outros reguladores. Na idade adulta, o tecido adiposo pode expandir-se por hipertrofia dos adipócitos existentes e por hiperplasia, com diferenciação de novos adipócitos; a importância relativa varia entre depósitos e condições metabólicas.

Classicamente distinguem-se tecido adiposo branco, predominantemente unilocular e de reserva energética, e castanho, predominantemente multilocular e termogénico. O fenótipo bege corresponde a adipócitos termogénicos induzíveis que podem surgir em depósitos brancos.

Unilocular (branco)Multilocular (castanho)
Gotas lipídicasUma só, grandeMuitas, pequenas
NúcleoAchatado, na periferiaArredondado, central ou excêntrico
Tamanho da célulaGrande (até 120 µm)Mais pequena
MitocôndriasPoucasMuito numerosas, com muitas cristas
VascularizaçãoModeradaMuito abundante
CorBranca a amarelaCastanha (citocromos e sangue)
FunçãoReserva de energia, isolamento, proteção mecânica, secreção (leptina)Termogénese
DistribuiçãoHipoderme, mesentério, epíplons, retroperitoneu, órbitas, palmas e plantasRecém-nascido: região interescapular, pescoço, axilas, à volta dos rins e do coração

5.2. Tecido adiposo unilocular (branco)

É o tecido adiposo mais abundante no adulto. Forma o panículo adiposo da hipoderme e acumula-se em regiões profundas (mesentério, epíplons, retroperitoneu), nas órbitas e nas palmas das mãos e plantas dos pés, onde amortece choques. A quantidade e a distribuição dependem das hormonas sexuais, da nutrição e da atividade física.

Cada adipócito tem uma única gota lipídica, grande, que não tem uma membrana convencional em bicamada, mas possui uma monocamada de fosfolípidos com proteínas, incluindo perilipinas, e desloca o citoplasma para uma orla fina e o núcleo achatado para a periferia (aspeto de anel de sinete). Tem poucas mitocôndrias e um Golgi rudimentar. Os adipócitos agrupam-se em lóbulos separados por septos de conjuntivo com vasos e nervos; cada adipócito é rodeado por uma lâmina basal e por fibras reticulares.

Em H&E, os triglicéridos dissolvem-se e cada célula aparece como um espaço vazio poligonal delimitado por uma orla fina de citoplasma. O conjunto parece uma rede de malhas largas.

Armazenamento. Os triglicéridos chegam pelo sangue nos quilomícrons e nas VLDL. A lipase lipoproteica, sintetizada pelos adipócitos e funcionalmente associada à face luminal do endotélio capilar, hidrolisa-os e liberta ácidos gordos, que são captados e reesterificados no adipócito.

Lipólise. Em jejum ou exercício, a estimulação simpática favorece a mobilização das reservas. A sinalização adrenérgica modifica proteínas da gota lipídica, incluindo a perilipina, facilitando o acesso das lipases. A lipase dos triglicéridos adiposos (ATGL) inicia a hidrólise dos triglicéridos a diacilglicerol; a lipase sensível às hormonas (HSL) atua sobretudo sobre o diacilglicerol e a lipase dos monoacilgliceróis completa a hidrólise. São libertados glicerol e ácidos gordos; estes podem circular ligados à albumina. A insulina estimula o armazenamento e inibe a lipólise.

O tecido adiposo branco é também um órgão endócrino, produzindo leptina e outras adipocinas. A leptina informa os centros hipotalâmicos sobre as reservas energéticas e contribui para reduzir a ingestão alimentar quando existe sensibilidade adequada à hormona. Na obesidade pode ocorrer resistência aos seus efeitos, apesar de concentrações elevadas.

5.3. Tecido adiposo multilocular (castanho)

É abundante nos animais hibernantes e no recém-nascido humano (região interescapular, à volta dos grandes vasos do pescoço e das axilas, dos rins e do coração). No adulto é pouco abundante, embora persistam pequenos depósitos ativos.

Os adipócitos são mais pequenos, com núcleo arredondado, central ou excêntrico e muitas gotículas lipídicas. O citoplasma é acidófilo, por causa do número muito elevado de mitocôndrias, com muitas cristas. O tecido é muito vascularizado e inervado por fibras simpáticas.

A sua função é a termogénese sem tremor. A membrana interna das mitocôndrias tem termogenina (UCP1, proteína desacopladora). Esta proteína deixa os protões voltarem à matriz mitocondrial sem passar pela ATP sintase: parte da energia do gradiente é dissipada como calor, diminuindo a eficiência da síntese de ATP. O sistema é ativado pela noradrenalina libertada pelos nervos simpáticos em resposta ao frio. O sangue aquecido distribui o calor pelo organismo.

5.4. Tecido adiposo bege

Em resposta ao frio e à estimulação β-adrenérgica, podem surgir adipócitos de fenótipo bege em depósitos de tecido adiposo branco. Apresentam várias gotículas lipídicas, maior conteúdo mitocondrial e capacidade de expressar UCP1. Este escurecimento (browning) pode envolver alterações de adipócitos existentes e diferenciação de precursores; não exige a conversão homogénea de todo o depósito.

- Macrófago: origem embrionária ou monocítica; morfologia variável, por vezes com material fagocitado; fagocitose e apresentação de antigénios. - Plasmócito: linfócito B diferenciado; núcleo excêntrico em roda de carroça, citoplasma basófilo, halo justanuclear (Golgi); anticorpos. - Mastócito: grânulos basófilos metacromáticos com histamina e heparina; recetores de IgE; alergia. - Branco: uma gota, núcleo periférico, reserva. Castanho: muitas gotículas, núcleo central ou excêntrico, mitocôndrias com UCP1, calor.

6.1. Fígado de rato injetado com tinta da China, H&E: células de Kupffer

As células de Kupffer são macrófagos residentes associados ao revestimento dos sinusoides hepáticos, frequentemente salientes para o lúmen. No fígado de rato previamente injetado com tinta da China, acumulam partículas negras, evidenciando fagocitose. Distinguem-se das células estreladas hepáticas, localizadas no espaço perissinusoidal de Disse.

6.2. Cólon humano, H&E: macrófagos e plasmócitos

Na lâmina própria, sob o epitélio, procurar em grande ampliação:

  • macrófagos, geralmente em menor número: morfologia variável, núcleo oval ou reniforme e citoplasma abundante, por vezes vacuolizado ou com material fagocitado; a identificação individual em H&E pode ser incerta;
  • plasmócitos, mais numerosos: células ovais, citoplasma basófilo, núcleo excêntrico com cromatina em grumos separados (em roda), zona clara justanuclear;
  • linfócitos: pequenos, de núcleo redondo e escuro.

6.3. Mesentério de rato, montagem in toto, H&E e azur II: mastócitos

O mesentério é montado inteiro, sem corte. Os mastócitos são células grandes, com núcleo pequeno, redondo e escuro no centro e citoplasma cheio de grânulos roxos; nalgumas preparações estão mais desgranulados e a cor é menos intensa. Além dos mastócitos, podem observar-se núcleos de fibroblastos, células mesoteliais, células associadas aos vasos e leucócitos; a atribuição depende da morfologia e das relações espaciais. Veem-se feixes entrecruzados de fibras de colagénio cor-de-rosa, separados por substância fundamental incolor. Fechando o diafragma do condensador, destaca-se a rede de fibras elásticas, mais finas.

6.4. Ultraestrutura dos adipócitos

No adipócito branco (A) há uma grande gota lipídica e poucas mitocôndrias. No castanho (B), muitas gotículas, mitocôndrias numerosas e capilares próximos.

6.5. Tecido adiposo de rato, H&E

Na preparação, os adipócitos brancos têm uma grande gota lipídica, extraída durante a preparação, e núcleo frequentemente achatado e periférico; os castanhos são geralmente menores, multiloculares e de citoplasma mais abundante e acidófilo. A matriz de suporte inclui fibras reticulares e uma abundante rede capilar; em H&E observa-se a organização geral, mas a demonstração específica das fibras reticulares requer técnicas como a impregnação pela prata.

Na preparação, designada tecido adiposo bege, observam-se adipócitos uniloculares e pequenos grupos de perfis multiloculares. A morfologia é compatível com o fenótipo bege descrito na preparação, mas H&E isoladamente não comprova a identidade termogénica; a confirmação pode exigir marcadores como a UCP1, em conjunto com a caracterização da preparação.

Resumo escrito por estudantes para apoio ao estudo. Não substitui a bibliografia nem as indicações dos docentes da unidade curricular.